Que tal aposentar a aposentadoria?
Rev. Wilson NunesMestre em Gerontologia · fundador da AMAI
As instituições financeiras querem nos convencer de que a aposentadoria é a razão de estarmos neste planeta: barcos, praias, o "bem-vindo" ao tempo do prazer. Mas, para muitos, a aposentadoria chega com outro rosto — declínio social, sensação de "estar de fora", inutilidade.
Aposentadoria, como a conhecemos, é um conceito com menos de cem anos. E aqui está o fato que sempre surpreende minhas turmas: se fizermos uma pesquisa na Bíblia, em qualquer versão, nada encontraremos sobre o assunto. Quando destacamos os personagens de vida longa, descobrimos que nunca deixaram de ser produtivos. Abraão gerou Isaque aos 99 anos e comprou propriedades aos 140. Moisés tinha 80 quando foi a Faraó — e aos 120 ainda escrevia canções e liderava. Josué esteve ativo até os 110. Davi era um velho quando colocou Salomão no trono. Pedro e Paulo passaram os últimos anos comunicando-se ativamente com as igrejas de dentro da prisão.
Na Bíblia, portanto, inexiste o conceito de aposentadoria. Deus não aposenta ninguém do Seu serviço, nem retira os frutos do Espírito que resultam desse serviço. O cristão pode — e muitas vezes deve — aposentar-se do emprego. Do propósito, nunca.
De fato, o tempo extra da aposentadoria deveria permitir-nos servir ao Senhor mais criativamente e ainda mais efetivamente. Livres das pressões do trabalho, talvez a mais importante contribuição da vida do cristão aconteça exatamente nos anos da aposentadoria. Algumas pessoas pensam que a vida delas para quando se aposentam. Mas, na verdade, quando o cristão passa a dedicar a maior parte do seu tempo ao serviço do Reino, é aí que seu mais importante trabalho começa.
Que tal, então, aposentar a aposentadoria — e perguntar a Deus o que Ele tem para o seu melhor terço?
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