Artigo · 10 de setembro de 2026

A fé muda na velhice — para melhor

Rev. Wilson Nunes
Mestre em Gerontologia · fundador da AMAI

Até recentemente, muitos concordavam com Freud: pessoas com mais de 55 anos seriam "não analisáveis", incapazes de mudança significativa. Minha pesquisa de mestrado em Gerontologia — e quarenta anos de ministério — dizem o contrário.

Mudanças na fé religiosa não são exclusividade da juventude. Estudos mostram que cerca de 40% dos homens que experimentaram uma transformação de fé o fizeram após os 50 anos. A conversão também acontece na velhice — e com uma profundidade peculiar.

Por quê? Um dos fatores mais importantes são os eventos de crise. Uma doença, a perda de um ente querido, a aposentadoria recente: esses abalos desequilibram valores e prioridades e tornam a pessoa mais aberta ao essencial. Como observou James Fowler, o crescimento na fé ocorre quando a pessoa enfrenta crises, desafios e dificuldades. Na velhice, cai o que é performance; fica o que é real.

E os efeitos são mensuráveis: menos ansiedade — porque quem entrega o controle a Deus descansa do esforço de controlar o incontrolável; menos desespero — porque a vida reencontra significado; autoestima mais estável — ancorada no amor incondicional de Deus, não na produtividade que declina; e menos pavor da morte — porque "para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro" (Fp 1.21).

Se você acha que "já passou da idade" para recomeçar com Deus, a ciência e a Escritura concordam em discordar de você. Nenhum de nós é velho demais para mudar — se queremos mudar.

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