Artigo · 10 de setembro de 2026

Solidão não é falta de gente

Rev. Wilson Nunes
Mestre em Gerontologia · fundador da AMAI

Em décadas de ministério com pessoas idosas, aprendi a desconfiar das aparências: conheci idosos cercados de família que morriam de solidão, e idosos que moravam sozinhos e transbordavam vida.

A gerontologia confirma o que o pastor observa: o que protege não é a quantidade de pessoas ao redor, é a qualidade dos vínculos — sentir-se visto, necessário, pertencente. Poucas coisas são tão prazerosas como a boa companhia de pessoas com quem compartilhamos a vida. Amigos oferecem conforto, orientação, aceitação, respeito e alegria. E quando antigos amigos são perdidos, por morte ou mudanças, é vital fazer novas amizades. Retrair-se e afastar-se das pessoas é o pior que alguém pode fazer a si mesmo.

Por isso a Bíblia fala mais sobre relacionamento do que sobre qualquer outro assunto. "Ó! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união", canta o Salmo 133. Perdemos o paraíso não quando fomos expulsos do jardim, mas quando perdemos a capacidade de conviver em paz e de nos amarmos mutuamente. O céu, gosto de dizer, não é apenas um lugar: é convivência em amor com Deus e com o próximo. O meu próximo é parte do meu céu.

Se você tem mobilidade, junte-se a um grupo, a um ministério com a terceira idade — ou comece um. E se você ama alguém que envelhece: mais importante do que estar por perto é fazer essa pessoa sentir-se vista. Vínculo não se mede em visitas; mede-se em pertencimento.

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